sábado, 18 de setembro de 2010
mais uma de adeus
Eu quero sentir pés quentes me esquentando numa noite fria e uma mão firme me segurando no mar revolto do verão.
Eu quero um companheiro, sem medo para encarar a vida de frente, forte suficiente para me dizer “vai dar tudo certo” mesmo quando sabemos que não vai.
Eu quero dividir. Quero paixão. Quero noites de amor.
Quero alguém que goste de crianças e cachorros, que role na grama para brincar com eles.
Por um tempo acreditei que fosse você. Você me fez muito feliz e foi meu sol, meu par.
Eu queria de volta o cara que me apaixonei. Que me abraçava como se o mundo fosse acabar e enchia a boca para me chamar de linda. E era feliz, cantava na estrada, dava risadas e fazia piada.
Mas ele se transformou. E não gosto mais do jeito que ele me olha. Às vezes parece que até tem raiva.
Ele é covarde e foge. É egoísta.
Esse não é o cara que eu conheci. É alguém em quem ele se transformou.
Alguém que se esconde atrás de uma sombra que cultiva. E já não sei mais o quanto é sombra e o quanto é fuga.
Ouvi dizer que ele já tem outro alguém.
Uma pessoa que há pouco tempo atrás dizia que me amava e em tão pouco tempo já preencheu outro lugar ao seu lado. Provavelmente para mascarar algo que não quer ver.
Não teve nem coragem de me dizer adeus. De me dizer siga sua vida porque não sinto mais nada por você. Não teve coragem simplesmente de dizer o mais simples: não te amo mais.
Posso dizer que você foi a maior alegria e a maior decepção que tive.
Eu te dei várias chances para conversar como um adulto. Mas você não quis. Pensou tanto em você e nem um minuto em mim. Tentando me preservar só me machucou.
Uma pena.
Por um tempo eu quis aquela pessoa de um tempo atrás. E hoje sei que ela se perdeu. Mas o tempo cura tudo e isso nós dois sabemos muito bem.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Um dia a gente cresce
A gente cresce e descobre que nossos pais não são super heróis e que um dia podem precisar do mesmo colo que um dia nos deram.
Descobre que o mocinho pode virar bandido e te passar a perna.
Que para pagar as contas no final do mês é necessário acordar cedo para trabalhar e às vezes engolir uns sapos.
A gente vira adulto. E descobre palavras e sentimentos que não reconhecia quando era criança.
E desconfia das pessoas e gosta de tudo que é proibido, imoral e engorda.
Um dia a gente cresce...
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Mãe
perdi minha mãe há 5 anos.
e se você me perguntar como é essa dor, acho que não consigo explicar em palavras e sim, em algumas histórias.
minha mãe foi uma super companheira, minha melhor amiga.
era do tipo que me encobria em tudo e me ajudava a sair para as festas dizendo para o meu pai que eu estava dormindo e esperando durante muitas madrugadas eu chegar. não que aquilo fosse ruim para ela porque ela amava dormir tarde, desde que eu chegasse e contasse como foi a noite para ela. depois que ela morreu, meu pai revelou que sempre soube quando a gente mentia para ele, mas que como confiava, sempre fingiu que nao sabia de nada. rs
ela tinha muito orgulho dos filhos, andava com fotos na carteira e sacava para quem quisesse ver a sua linda prole. ela falava dos filhos com amor, assim como falamos dela.
depois que ela se foi, liguei milhares de vezes no celular para ouvir o seu recado na caixa postal. até o dia em que cancelaram a conta.
li e reli milhares de vezes a carta que ela me escreveu quando fiz 15 anos.
são 5 anos e muitos sentimentos.
já batemos muito papo quando ela me visita nos meus sonhos; mas quando acordo não posso ligar para contar como foi.
1 dia antes de morrer, ela me disse que pensava que eu era um cristal que podia se quebrar mas me mostrei uma mulher forte que soube muito bem cuidar dela.
desse dia em diante, a vida nunca mais é igual.
aquilo que você só vê em novelas e na casa do vizinho acontece com você.
o nando reis tem uma música que traduz perfeitamente esse sentimento:
“desde o dia em que eu perdi minha mãe
eu me perdi de mim também
perdi no mundo o que era o mundo meu
minha mãe
mesmo tendo meu pai que eu amo
a minha conta nunca mais fechou”
é isso. a conta nunca mais fecha. a cadeira permanece vazia nos almoços de domingo.
dá vontade de ver, de pegar, de sentir o cheiro. de falar que ama. de ouvir a voz, a risada.
de colo.
mas mesmo assim eu acredito que tenho sorte.
a sorte de ter tido um anjo na minha vida, que me deu um amor incondicional, que ajudou a construir quem eu sou, meu caráter, meu coração.
E isso verinha, ninguém tira de nós.
me espera, que um dia a gente volta a se encontrar.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Chiclete, drop’s, balinhas e afins. O artifício dos grandes encontros
Conheci um cara incrível ontem na festa da minha amiga Marcinha.
Conversamos a noite toda, trocamos telefones, mas nada aconteceu e voltei para casa sozinha e cheia de esperanças dele ligar no dia seguinte.
São 4 da tarde e meu telefone toca. Ele me convidou para jantar.
Poderia descrever tudo que aconteceu entre esse telefonema e eu estar pronta em frente de casa esperando por ele mas essa história fica para depois.
Só sei que após horas tentando encontrar uma roupa que servisse, consigo estar pronta.
Escolho uma bolsa combinando e começo a colocar alguns itens obrigatórios dentro dela: documentos (vai que paramos em uma batida policial ou ele fica muito bêbado no jantar e não consegue dirigir - ai credo nesse caso acho que largarei ele sozinho no restaurante), dinheiro ( vai que ele não paga a conta no primeiro encontro- nesse caso, “ único” encontro) e camisinha ( não que eu vá transar com o cara no primeiro encontro, mas...)
Sinto que ainda falta alguma coisa: CHICLETE, para um bom hálito.
Nesses casos vale tudo: chiclete, drop’s, balinhas,... qualquer artificio.
Aliás, por que será que quando saímos com alguém sempre achamos que ele vai preferir um hálito Lemon Mint?
É inevitável sair para um encontro e não carregar algum destes “ artifícios-bom hálito” na bolsa.
Se você não levar, sem problemas, a outra pessoa com certeza vai ter.
Uma amiga disse que se vê um drop’s no carro do cara que ela está saindo tem certeza absoluta que ele quer beijá-la, ou seja, meio caminho andado.
Muitas vezes nos primeiros encontros rola um certo constrangimento na hora do beijo: alguém joga rápido o chiclete da boca ou fica sem graça de se expor oferecendo um chiclete para o outro.
Por exemplo, quando vocês começam a dormir juntos. Na hora que acordam fica aquele constrangimento para dar um beijo.
Daí ou você corre para o banheiro escovar os dentes ou finge que tá na moda chupar Hall’s no desjejum:
- Nossa meu médico receitou 4 balinhas de Lima limão extra refrescante todas as manhãs.
Em alguns casos de relacionamentos mais avançados a gente obriga o namorado a chupar uma balinha depois de comer pizza de alho no domingo. Sem nenhuma vergonha.
De um jeito ou de outro, as balinhas e chicletes estão sempre presentes durante todas as fases de um relacionamento.
Só sei que ele está atrasado 15 minutos e estou parada na frente do prédio mascando o meu terceiro chiclete. Será que ele prefere gosto de cereja ou de menta?
Situações onde você na pode precisar da sua balinha:
Entrevistas de trabalho
Ao conhecer a sogra
Ao chegar em uma festa cheia de homens bonitos
domingo, 7 de março de 2010
Ser mulher em 2010
por isso, procurei uma inspiração para escrever o que é ser uma mulher em 2010. lógico que represento uma pequena faixa de tantas mulheres mas posso falar com certa propriedade do eu que vivo.
ser mulher ainda é ganhar menos que um homem, mesmo sendo mais qualificada.
é ter que acordar cedo, levar os filhos na escola ou se não tiver filhos, malhar a bunda na academia as 6 e meia da manhã e depois encarar um dia longo de trabalho.
e no meio deste dia, receber um telefonema da sua mãe reclamando de alguma coisa inútil. tentar desligar em vão, mas ter que ouvir o sermão dela.
chegar em casa a noite exausta e ainda ter que estar bonita e bem humorada para passar um tempo com seu marido. isso sem falar naquelas guerreiras que ainda tem que cozinhar, lavar e passar roupa.
ser mulher em 2010 é ter crises nervosas para achar uma boa babá e uma crise maior ainda quando a babá pede as contas.
mulher continua almoçando salada para comer um doce de sobremesa e continua odiando ar condicionado.
estamos em 2010, mas mulher chora em filmes de amor, e acredita que vai encontrar alguém especial para ficar velhinho junto, assim como seus avós. ah sim, porque na geração dos 30 anos como a minha, os pais -em sua maioria- são separados.
mulher se dedica, tem sensibilidade, se entrega com muito mais força que um homem. e fala, fala…e conta tudo para as amigas.
por isso não acredito quando vejo na tv, propagandas de dia da mulher com uma gostosona de lingerie de renda esperando o seu namorado chegar. com certeza, essa propaganda foi criada por um homem.
primeiro: nenhuma mulher normal usa aquela lingerie no cotidiano porque coça e dá alergia.
e segundo porque hoje nós queremos muito mais. porque somos muito mais.
acho que nesse dia das mulheres, preferia ver a propaganda de um presente mais interessante como um chocolate bom que não engorda, um creme que acabasse com a celulite ou 1 hora a menos de trabalho para as mulheres fazerem o que bem entendessem.
fico por aqui. parabéns a todas as mulheres.
segunda-feira, 1 de março de 2010
amuletos
a sua escova de dentes? ainda está ali, intacta no banheiro. já faz alguns meses que você se foi, deixando ela ali, sozinha e desamparada ao lado da minha.
lembro perfeitamente quando a compramos. foi no dia em que o jantar virou um café da manhã. foi num domingo chuvoso e preguiçoso que você a comprou na farmacinha da esquina de casa. e ali ela ficou, ficou até hoje.
protagonista de tantos momentos especiais, caras amassadas e juras de amor.
não sei que tipo de fascínio estes amuletos despertam em nós, mas que eles existem, existem.
desde pequenos quando nos agarramos em uma boneca ou um lençolzinho de dormir, só de saber que aquele objeto está por perto já nos sentimos protegidos e felizes.
daí a gente cresce e continua se apegando.
o travesseiro que só você tem e carrega para todas as viagens, o terço que sua avó te deu e você reencontra em momentos difíceis, o ursinho que ganhou do namorado, o seu primeiro sutiã. quer mais simbolismo que isso? a gente guarda até amarelar. para lembrar daquele momento mágico que você se enxergou mulher pela primeira vez.
amuletos estão em todos lugares, independem de idade ou classe social.
não estou dizendo somente de amuletos da sorte, mas sim destes objetos que fizeram e fazem parte das nossas vidas, que marcam encontros, épocas, e que guardamos como pedras preciosas porque carregam histórias.
objetos que damos para alguém se lembrar que estivemos ali, que fizemos parte da sua história.
talvez seja por isso que a escova de dentes ainda esteja ali. por representar tantos momentos felizes, por representar o nosso amor.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Mais um ano começou
O ano oficialmente começou.
hora de guardar a fantasia no canto do armário e enfrentar o cotidiano: despertador tocando cedo, trânsito e torcida por um final de semana de sol.
a vida começa todos os dias, quando nos levantamos da cama, e por isso ela é tão mágica.
mas não vivemos essa filosofia. morando em uma cidade grande, nos preocupamos mesmo em pagar as contas no final do mês, não ser assaltado nem ser levado por uma enchente num temporal de fim de tarde. ah, também nos preocupamos muito com a tv a cabo e internet em casa.
o engraçado é que o ano muda e todas as mesmas promessas do ano anterior continuam, com a única diferenca de 01 ano de atraso. não é pessimismo; mas pense na sua lista do ano passado. quantas coisas conseguiu cumprir a risca?
ter uma vida mais saudável, frequentar uma academia, mais tempo de ler, de ir ao cinema, de cuidar dos filhos.
se cobre menos.
como eu acho tudo isso uma bobagem, só vou me comprometer em não fazer a planta de casa morrer. assim um dia poderei cuidar de um animal, ou até mesmo de um filho.
pra terminar, afinal o ano começou e eu já tenho coisas a fazer, se pudesse fazer um pedido eu queria ser uma heroína por um dia. um só diazinho no meio de outros 364 .
ser uma heroína aos olhos de alguém, fazer alguma coisa simples mas que desse muito orgulho, nem que seja ajudar uma velhinha a atravessar a rua ou descrever as flores para alguém que não enxerga.
como disse david bowie: we can be heroes just for one day.
I, I wish you could swim
Like the dolphins, like dolphins can swim
Though nothing
Nothing will keep us together
We can beat them, for ever and ever
Oh we can be heroes
Just for one day
I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing will drive them away
We can be heroes, just for one day
We can be us, just for one day
I, I can remember (I remember)
Standing, by the wall (By the wall)
And the guns shot above our heads (Over our heads)
And we kissed
This though nothing could fall (Nothing could fall)
And the shame was on the other side
Oh we can beat them, for ever and ever
Then we could be heroes
Just for one day
We can be heroes
Just for one day
We can be heroes
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
fim de namoro- parte 2
Tales Of Mere Existence / "How To Break Up" Tales Of Mere
domingo, 21 de fevereiro de 2010
fim de namoro
fim de namoro podia ter aviso prévio.
um certo dia aquela pessoa que você vê todos os dias, divide alegrias, angústias e planeja o futuro te diz adeus por algum motivo qualquer.
de repente você se vê perdido no meio da multidão, pedindo porção para um, alimentando seu porteiro com a metade da pizza do domingo.
se ao menos você tivesse um tempo para se acostumar com essa nova vida de uma única escova de dentes no banheiro, conseguiria buscar a agenda de telefones antiga, resgatado os amigos solteiros, lido os guias de melhores da cidade para saber quais os bares da moda, mas não. fim de namoro vem sem avisar. sem tempo de digerir informacao e pensar em um novo par para a sua dança.
então a gente fica assim: errando e acertando o tempo todo. saindo sem rumo, beijando pessoas esquisitas, reaprendendo a dirigir na estrada, a carregar a mala do final de semana e no meio disso, choramingando aos poucos e sentindo saudades da pessoa que te deixou.
mas depois que o susto passa, você reaprende a caminhar sozinho e se redescobre, se reinventa. além do prazer de ter um tempo só seu, para fazer e ir onde bem entender. e assim, recomeçar uma nova vida.