perdi minha mãe há 5 anos.
e se você me perguntar como é essa dor, acho que não consigo explicar em palavras e sim, em algumas histórias.
minha mãe foi uma super companheira, minha melhor amiga.
era do tipo que me encobria em tudo e me ajudava a sair para as festas dizendo para o meu pai que eu estava dormindo e esperando durante muitas madrugadas eu chegar. não que aquilo fosse ruim para ela porque ela amava dormir tarde, desde que eu chegasse e contasse como foi a noite para ela. depois que ela morreu, meu pai revelou que sempre soube quando a gente mentia para ele, mas que como confiava, sempre fingiu que nao sabia de nada. rs
ela tinha muito orgulho dos filhos, andava com fotos na carteira e sacava para quem quisesse ver a sua linda prole. ela falava dos filhos com amor, assim como falamos dela.
depois que ela se foi, liguei milhares de vezes no celular para ouvir o seu recado na caixa postal. até o dia em que cancelaram a conta.
li e reli milhares de vezes a carta que ela me escreveu quando fiz 15 anos.
são 5 anos e muitos sentimentos.
já batemos muito papo quando ela me visita nos meus sonhos; mas quando acordo não posso ligar para contar como foi.
1 dia antes de morrer, ela me disse que pensava que eu era um cristal que podia se quebrar mas me mostrei uma mulher forte que soube muito bem cuidar dela.
desse dia em diante, a vida nunca mais é igual.
aquilo que você só vê em novelas e na casa do vizinho acontece com você.
o nando reis tem uma música que traduz perfeitamente esse sentimento:
“desde o dia em que eu perdi minha mãe
eu me perdi de mim também
perdi no mundo o que era o mundo meu
minha mãe
mesmo tendo meu pai que eu amo
a minha conta nunca mais fechou”
é isso. a conta nunca mais fecha. a cadeira permanece vazia nos almoços de domingo.
dá vontade de ver, de pegar, de sentir o cheiro. de falar que ama. de ouvir a voz, a risada.
de colo.
mas mesmo assim eu acredito que tenho sorte.
a sorte de ter tido um anjo na minha vida, que me deu um amor incondicional, que ajudou a construir quem eu sou, meu caráter, meu coração.
E isso verinha, ninguém tira de nós.
me espera, que um dia a gente volta a se encontrar.